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FOLHA DE SÃO PAULO - Dólar alto acirra disputa entre corretoras

Dólar alto acirra disputa entre corretoras de câmbio

VINICIUS PEREIRA
DE SÃO PAULO
07/09/2015 02h00

Para conter a queda na procura pelo dólar, que já chega a 30% de acordo com casas de câmbio ouvidas pela Folha, as corretoras vêm apostando em uma combinação de descontos na cotação e serviços ao cliente.

A missão é complicada: só na semana passada, o dólar turismo teve alta de 5,14%, vendido a R$ 4,09 em São Paulo, segundo o serviço de informações financeiras CMA.

Na região da rua Boa Vista, no centro da capital paulista, que tradicionalmente abriga bancos, corretoras e agências de viagens, a baixa demanda era visível na sexta-feira (4). Os poucos compradores negociavam pequenas vantagens com operadores, disputando cada centavo da cotação.

Nesses locais, o dólar turismo, em espécie, variava de R$ 3,92 a R$ 4,08. Já no cartão pré-pago, que tem uma incidência maior do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), a moeda chegava a R$ 4,28.

Na tentativa de reanimar o mercado, a Cotação Corretora oferecia descontos de até 1% na cotação em compras feitas pela internet. Mas, com dificuldade de anunciar reduções agressivas, a estratégia da empresa se voltou para a melhoria de serviços.

"A taxa não é algo supervariável, então preferimos investir no serviço", afirma o diretor da corretora, Alexandre Fialho"Quando damos a orientação certa, o cliente acaba por economizar mais do que com qualquer desconto que eu ofereça."
Ainda assim, o custo mais baixo continua sendo o fiel da balança para fechar negócio.

A estudante Marcela Garcia, 26, rodou diversas casas de câmbio de São Paulo em busca dos melhores preços. No fim, optou pela menor taxa e ainda terá a comodidade de receber o montante de US$ 500 em casa.

"Uma das corretoras até se propôs a cobrir a proposta, mas optei pela cotação da hora, que era de R$ 3,95 e a promessa de que eles me entregariam ainda hoje na minha residência", diz.
Para captar novos clientes, a TOV Corretora faz saldões pontuais com preços abaixo do mercado, além de garantir a comodidade da entrega.

"Dólar é dólar em qualquer lugar, por isso o preço é essencial. Você tem que tirar de dois a três centavos do 'spread' [margem] para começar a ser competitivo."
Segundo as corretoras, os descontos poderiam ser maiores, não fosse a grande variação na cotação do dólar no mercado de câmbio.

"Se eu fizer um feirão de promoção e o dólar variar muito no dia, toda a minha operação está comprometida, porque ele pode anular o desconto e eu tenho que manter o preço até o final. Isso faz com que as empresas pensem muito para aliviar os preços", afirma Jordão.

CONGELADO

A elevação nos custos do dólar também desacelerou o ritmo de procura por viagens internacionais. Para continuar vendendo, algumas operadoras de turismo decidiram congelar a cotação da moeda norte-americana.

Na sexta, quem comprasse um dos pacotes internacionais da CVC, a maior operadora brasileira, pagava R$ 3,33 pelo dólar –o valor varia, mas se mantém bem abaixo da cotação do mercado.

Outra que adota a estratégia é a MSC, especializada em cruzeiros. Desde agosto, uma promoção garante que os clientes que optarem por roteiros que incluam América do Sul, Caribe ou Europa paguem o valor calculado com o dólar a R$ 2,99.
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